09 janeiro 2013

Absolute Punk: Hayley fala sobre o novo álbum e muito mais


A Absolute Punk publicou hoje uma entrevista feita com Hayley Williams recentemente, e o repórter Keagan Ilvonen (@keaganilvonen) falou com ela sobre o futuro do Paramore e muito mais, confira:




Paramore – 08 de janeiro de 2013
Tem mais de três anos que o Paramore lançou seu último álbum completo, “Brand New Eyes”. Com a aproximação do próximo álbum da banda, que é auto-intitulado, aproveitei a empolgação e tive a chance de fazer algumas perguntas à vocalista Hayley Williams. Nós falamos sobre o rumo que a banda está tomando musicalmente, como vai a vida deles e como isso interfere nas letras e em tudo que está no meio. Se você achou que a banda ia desacelerar depois dos últimos anos, você está muito errado. No mais, a banda parece mais focada e revitalizada, pronta para lançar o álbum mais incrível até agora.

Eu acho que o melhor assunto pra começar é falar do novo single “Now”. Por que esta foi a primeira opção de vocês para um single? Como você o descreveria em relação aos singles do passado?

Para ser honesta, eu fiquei surpresa que todo mundo – da gravadora – estava preparado para lançar “Now” primeiro. É meio pesada em comparação a algumas das outras músicas. O fato é que qualquer um poderia ter escolhido qualquer uma das outras músicas como primeiro single, e eu concordaria com isso. Isso é estranho pra mim, pessoalmente. Nos álbuns passados, eu tinha uma forte convicção sobre uma música em cada álbum. Por exemplo, os caras e eu convencemos um monte de pessoas que “Misery Business” deveria ser o nosso primeiro single de RIOT! A gente simplesmente sabia. Isso não é pra dizer que nós não temos fortes sentimentos por “Now”… Só aconteceu de termos fortes sentimentos por todas as músicas do álbum!

Vocês decidiram auto-intitular o álbum. Você acha que isso é uma grande afirmação? Bandas tendem a auto-intitular seus álbuns quando sentem que é o indicativo do som que eles estão tentando criar. Você acha que esse é som que você tem tentado registrar com a banda?

Não parecia certo tentar forçar um nome quando essas músicas nos atingem como um raio. Ou seja, não poderíamos forçar esse álbum se tivéssemos tentado. E nós tentamos, de vez em quando. Mesmo sabendo que o processo de composição era esgotante às vezes, quando eu penso nisso, todas as músicas acabaram simplesmente acontecendo! Elas funcionaram, e ficaram naturais. Nós chamamos o álbum pelo o que ele é. Somos nós de verdade. Eu espero que isso diga algo de importante aos nossos fãs.

Como o processo de composição difere dessa vez em relação às outras vezes? Sem remoer o passado, deve ter sido muito diferente sem dois dos membros originais. Você acha que essa mudança ajudou você, Jeremy e Taylor a crescerem como compositores e artistas?

Absolutamente. Sou muito grata a tudo que passamos. Você realmente aprende mais quando está em dificuldade… eu acredito nisso. Isso mexe com a sua perspectiva, e eu nunca vi nós três tão claramente. Taylor e Jerm são muito talentosos. Nós todos precisamos uns dos outros nesse processo porque sim, no começo, era um território estranho e fora do mapa. Novamente, se não tivéssemos sido forçados, talvez nós nunca teríamos feito a decisão voluntária de nos abrirmos para todas as possibilidades. Musicalmente, eu acho que o maior crescimento veio com o Taylor sendo o principal compositor da banda. Você vai ouvir muito a personalidade de cientista louco dele nesse álbum, onde antes ele não tinha a mesma oportunidade. Jeremy, como sempre, veio com as melhores notas de baixo. Até compormos esse álbum, eu não o tinha ouvido tocar daquele jeito desde muito tempo, quando nos conhecemos. Estou orgulhosa dos meus amigos, eles arrasaram.

No sentido das letras, você acha que esse álbum vai ter um ar diferente devido a tudo que está acontecendo na vida de vocês agora? Você, é claro, em seu relacionamento com Chad Gilbert, o casamento do Jeremy e tudo mais que aconteceu nos últimos quatro anos.

Pelos dois últimos anos, eu finalmente tive o tempo e o espaço que eu precisava para crescer e me tornar mulher. Então, sim… Eu diria que minhas letras têm, inerentemente, um ar diferente. Eu acho que elas cresceram comigo. À medida em que o amor vai, eu estou mais mergulhada nele do que nunca. Ver um dos meus melhores amigos num casamento tão feliz me inspira a continuar acreditando no amor. É difícil, cara! Eu realmente tenho que brigar com a realista em mim às vezes. Afinal, há algumas músicas divertidas de amor no álbum. Tenho certeza de que sempre serão melosas, a angústia adolescente existe dentro de mim desde que estou vivendo nesse mundo louco. Mas cara, é extremamente libertador sentir tudo isso de vez em quando.

Ouvi por aí que o som do novo álbum pode ser comparado ao dos Metrics, isso é totalmente verdade? E quais foram as suas influências para compor e gravar?

Eu estaria mentindo se dissesse que nós todos não ouvimos mais música eletrônica durante esse processo do que antes. Eu acho que é só porque o gênero está super em alta agora. Mesmo assim, eu não diria que nosso som parece com o de qualquer uma dessas bandas. É meio como se alguém nos tivesse soltado em um castelo cheio de instrumentos e nós passeamos por ele em alguns dias com… algum objetivo? Taylor estava ouvindo muito Alt-J, eu estava ouvindo aquele canal da Sirius XM chamado “1st Wave” todos os dias enquanto entrava no clima no carro, e Jeremy tem nos mantido por dentro do novo hip hop. Nós não ficamos presos ao dubstep na realização desse álbum.

Na data que o álbum será lançado, serão 3 anos e meio desde que vocês lançaram o último completo, “Brand New Eyes”. Esse intervalo foi o maior entre álbuns da banda (sem contar com o Singles Club), você sente que isso criou um tipo de pressão para o álbum?

Na verdade, eu achei que foi o contrário. Mesmo nós não tendo ido a lugar algum, nós precisávamos ir embora um tempinho. O drama foi tenso pra mim, então eu imagino o quanto deve ter sido tenso para os fãs. Especialmente para as pessoas que não eram fãs! Eu quase podia ouvi-los dizer “Ai, lá vai o Paramore de novo agindo como um monte de moleques no intervalo!” O tempo que nós tivemos foi uma boa maneira de deixar a poeira baixar, e parece que nós estamos tendo uma segunda chance. Talvez agora as pessoas possam ouvir às músicas pelo o que elas são, e não pela mesma velha história que estava na capa de todas as revistas.

E sobre detalhes do álbum, você pode compartilhar alguma nova informação? Como nome de músicas, comprimento do álbum, etc?

Esse é o álbum mais longo que nós já gravamos. Eu tenho orgulho disso. Para ser honesta, quando nós começamos a escrevê-lo, até completar 5 músicas pareceu impossível. E sobre nomes, eu não tenho certeza porque nós ainda não divulgamos a lista de músicas, mas eu provavelmente devo esperar por isso antes que eu saia estragando surpresas como eu sempre faço!

Vocês já têm algumas datas internacionais com o mewithoutYou em fevereiro anunciadas e  algumas performances em festivais após isso. Quando as pessoas podem esperar ver o Paramore e você pode dar uma dica de quem nós veremos ao lado de vocês? Talvez com Tegan and Sara novamente?

As datas internacionais com o mewithoutYou são apenas o começo! Nós queremos estar em todo lugar o máximo que pudermos. Eu não acredito que nós estamos saindo em turnê com a minha banda preferida de todos os tempos. A vida é louca.

A banda Kitten abriu nosso show em Pomona, na Califórnia, ano passado, e nós gostaríamos de tocar mais com eles. Eu amo muito Candy Hearts e acho que nossos fãs iriam amar eles ao vivo. E também se nós pudéssemos fazer alguns shows com Shiny Toy Guns a minha amiga Carah e eu poderíamos dividir alguns palcos juntas. Ela é a melhor. Basicamente, tem um monte de garotas incríveis na música que eu estou tão animada e 2013 vai ser um grande ano para todas elas, com ou sem uma turnê com o Paramore.

Saindo das perguntas sobre o novo álbum, os leitores queriam saber se você tem algum plano para lançar algum material solo? Ou talvez até algum tipo de projeto paralelo com o Chad?

Projeto solo? Quem sabe! Eu estou mais integrada no Paramore do que eu estava antes. Eu não pensava que isso era possível! Então eu não posso pensar tão adiante assim.

E quanto a projetos com o Chad… Eu não consigo nem manter o mesmo ritmo que ele! Ele me mostra tipo 10 novas ideias de músicas por dia! Na verdade é muito inspirador! Nós escrevemos e tocamos juntos apenas por diversão, mas não temos nenhum projeto juntos para falar sobre. Mas vou deixar claro que, se ele algum dia gravar um cover de “Enter Sandman” no violão, fui eu quem ensinei a ele o jeito certo de tocar. Você pode anotar isso como um projeto em conjunto.

Vocês fizeram turnê com o No Doubt alguns anos atrás, que é uma das bandas com vocal feminino mais icônicas de todos os tempos. A Gwen te deu alguma dica ou compartilhou algum conhecimento com você?

A Gwen é incrível. Ela tem os pés no chão e trabalha muito. Eu não posso nem dizer o quanto ela faz em um dia de turnê. Ela não disse nada marcante, mas sempre havia um monte de coisas para me encorajar. Apenas o fato de que aquela banda ainda está junta já é uma motivação, certo? Eu não tenho certeza se isso vai sair da maneira correta, mas vendo a vida dela e tudo que ela faz, eu posso dizer que eu gostaria que fama e sucesso não fossem duas coisas dependentes uma da outra. A parte da “fama” da música é errada de qualquer maneira. Eu vou ficar muito feliz se nosso álbum for bem e se as pessoas gostarem dele… Mas eu sempre vou me sentir estúpida toda vez que eu for para LA e algum paparazzi – que não faz nem ideia de quem eu seja – começar a tirar foto de mim e me chamar de “Kayley”. E eu vou me sentir constrangida se nós estivermos andando em um tapete vermelho, bem vestidos, e alguém me perguntar o que eu acho do novo corte de cabelo da Miley Cyrus. Você está de brincadeira? Isso é exatamente o que significa ser famoso nesse país e esse tipo de coisa não tem a mínima importância. Eu gosto da parte do trabalho, da parte criativa, e da conexão que eu consigo ter com as pessoas por causa da música. Então quando as pessoas me dizem que eu sou a próxima Gwen Stefani, eu não penso na Gwen que eu vejo na capa de uma revista. Eu penso na garota que escreveu “Simple Kind Of Life” e agora, anos depois, sorri toda noite no palco quando ela canta a linha, “I always thought I’d be a mom”. Ela tem objetivos pessoais e sonhos, e ela conquistou um monte deles. Eu acho que ela ainda iria querer todas aquelas coisas, mesmo que ninguém estivesse olhando.

Podemos esperar que você participe em alguma música nova como você fez com o mewithoutYou? Se não, tem alguém com quem você gostaria de trabalhar?

Eu adoraria trabalhar com o Bruno Mars. Motown e antigo R&B são as minhas coisas preferidas e ele é simplesmente muito bom. Não é apenas uma influência para ele. Quero dizer, parece que corre pelas veias dele. Jeremy e Taylor também amam isso, então seria legal ser tipo a “banda de apoio” dele em uma música. Tem também Glen Hansard do The Swell Season. Quando eu escrevi “In The Mourning” (do Singles Club), a música dele estava em minha cabeça.

Apesar de que vocês estão fazendo shows gigantes agora, vocês ainda são vistos como uma “daquelas” bandas que vieram de um cenário como Fall Out Boy, My Chemical Romance e agora Fun. e as pessoas respeitam sua opinião quando se trata de música. Quais são algumas bandas menores que você acha que as pessoas deveriam estar ouvindo?

Bom, obrigada. Isso realmente significa muito. Eu sei que eu mencionei algumas dessas bandas antes, mas elas valem ser mencionadas de novo. Eu realmente acho que Kitten vai emplacar logo. Chloe é uma estrela e uma dançarina! As pessoas deveriam conhecer eles agora enquanto eles ainda são uma banda pequena. O mesmo serve para Candy Hearts. O lado oposto de um ponto de vista musical. Mariel é uma verdadeira contadora de histórias. As letras dela são do tipo que jovens, especialmente garotas, podem gostar e possivelmente se sentirem menos sozinhos. Diamond Youth é uma outra banda que eu estou gostando muito. Eu gosto de ouvir um cara realmente cantando em uma banda de rock. Por último, uns companheiros de gravadora, Twenty One Pilots. Se essa banda não for gigante em um ano então não existe justiça no mundo.

Tem algo que você gostaria de dizer aos leitores para finalizar?

Obrigada a todos por lerem todas as minhas respostas compridas. Eu estou animada para sair por aí. Se você já é fã por um tempo, obrigada por estar com a gente durante todo esse trajeto. Se você não é um fã e está lendo isso apenas porque você está entediado ou algo do tipo… Eu espero tornar você um fã com o novo álbum. Eu acredito que ele tenha o poder!

Muito obrigado Hayley!

Por nada! Obrigada!

Fonte: Paramore Brasil

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