03 abril 2013

Hayley para a MusicConnection: “Depois do último disco nós pensamos que a banda fosse acabar”



Hayley, em entrevista exclusiva para a Music Conection, fala sobre o processo de gravação do disco ‘Paramore’ e como está orgulhosa do que fizeram. A polêmica dos Farro é citada, mas prevalece os pensamentos no futuro. Hayley Williams demonstra que sabe que o futuro guarda coisas boas para a banda. Confira:


Retorno do Paramore: Hayley Williams nos conta tudo
Paramore surgiu na cena do pop punk em 2005. Desde então, eles já lançaram três álbuns de estúdio, sendo destaque em grandes filmes e jogos(Twilight, Guitar Hero, Rock Band) e foram indicados a três Grammys. Saindo do Tennessee, cujo estado é conhecido pela sua cena country, o primeiro álbum da banda All We Know Is Falling vendeu mais de 500 mil cópias e o álbum Riot!de 2007 ultrapassou a marca de 1,4 milhões de discos vendidos… apenas nos Estados Unidos. De qualquer forma, quando o Paramore começou a desfrutar do sucesso do seu álbum de 2009, o Brand New Eyes, (o qual alcançou o 2º lugar no top 200 da Billboard), os irmãos Farro, Josh e Zac, membros fundadores, deram a notícia de sua saída.
Pulando para 2013. Depois de alguns anos tentando encontrar a sua alma, encontrando vários produtores e redesenvolvendo seu estilo de escrita, a vocalista Hayley Williams, o baixista Jeremy Davis e o guitarrista Taylor York estão fresquinhos do festival SXSW e prontos para o lançamento do cdParamore.
Para esse artigo exclusivo, Williams pegou um tempo para discutir o novo CD, turnês mundiais, como o Paramore superou o que inicialmente parecia um golpe fatal e o que a nova formação tem para mostrar em 2013.
By Andy Mesecher

Music Connection: Então agora vocês estão na Malásia, indo para a Austrália para o festival Soundwave. Qual a maior diferente entre um festival australiano e um nos Estados Unidos?
Hayley Williams: Qualquer vez que fazemos festivais fora dos Estados Unidos, tem muito mais metal. Nós sempre terminamos sendo a “banda pop” no meio dos metaleiros, diferente dos Estados Unidos onde nós podemos nos encaixar um pouco mais. As vezes nós somos a banda mais pesada (nos EUA), o que é muito estranho.
MC: Você gosta de ser diferente?
Williams: Eu gosto disso. Eu gosto de ter algo para provar. Eu acho que as vezes eu me solto um pouco mais em festivais que há mais testosterona, dizendo, “Yeah, eu vou provar que eles não são a melhor banda!”. (risadas). Isso é estranho, mas nós nos divertimos muitos nesses festivais. Nós estávamos tocando em um festival na Europa uma vez e eu olhei para o lado do palco e vi Tom Morello. Eu pensei, “O que está acontecendo?! Isso nunca aconteceria conosco nos EUA!”
MC: A platéia responde bem a você?
Williams: Somos sortudos, nos damos bem não importa o faturamento. Quando começamos, nós tínhamos muitos interrogadores, muitas pessoas velhas. Então eu aprendi a interrogar de volta. Eu aprendi que o microfone é um poder e eu poderia usar aquilo (em vantagem).
MC: Vamos falar de produção. Porque vocês escolheram Justin Meldal-Johnsen para produzir o novo CD?
Williams: Nós conhemos um monte de produtores, o que é algo que nós já passamos antes. Depois de ficar parados por dois anos, tinha vezes que eu me perguntava, “As pessoas vão nos esquecer? Nós ligamos? O que eu tenho a dizer como compositora é irrelevante?” e então nós nos encontramos com todos os produtores, todos pareciam muito interessados no que nós queríamos e no que nós queremos a seguir.
MC: Mas apenas Justin se destacou?
Williams: Justin foi um dos primeiros que visitamos, e nós não conseguíamos tirar da cabeça as coisas que ele nos disse. Ele estava tão animado com o que nós poderíamos fazer e as possibilidades do nosso futuro e como mudar e moldar como uma nova banda. Ouvindo e vendo como ele é versátil como artista; foi legal ouvir alguém como ele que tem muita fé no próximo capitulo do ParamoreParamore without even hearing or seeing it yet.
MC: Ao longo dessa parceiria com Meldal-Johnsen, você trouxe Ilan Rubin para a bateria?
Williams: Yep. Ele é o cara fora da banda. Eu digo, nós deixamos Justin fazer fazer algumas coisas nos teclados porque ele é loucamente talentoso com sons e o design do som. Eu toquei algumas coisas no teclado. Carlos (de la Garza), nosso engenheiro, fez algumas percursões. Foi tão divertido. Todo mundo envolvido com a gravação, até mesmo os músicos do estúdio, foram todos muito colaborativos. Senti como se todos fossem parte disso.
MC: Alguém mais participou?
Williams: Ken Andrews veio e fez algumas mixagens e finalizou alguns backing vocals. Nós tivemos Roger Manning Jr. escrevendo alguns arranjos. (…) Todo mundo estava envolvido. Foi legal. Nós nunca nos abrimos para aquilo antes, para ser honesta. Com o último disco nós pensamos que a banda fosse acabar então nós ficamos dentro e fora do estúdio todos os dias tentando terminar o que nós tínhamos que terminar. Não foi uma experiência. Eu vinha todas as manhãs sem saber o que iria acontecer, e no final do dia eu ficava surpresa com o que nós éramos capazes de fazer, coisas que nós nunca tentamos fazer antes.
MC: Muitos de nossos leitores, que também são músicos, podem não saber gravar como o Paramore no estúdio. Como você escolheu seu talento?
Williams: Primeiro de tudo, nós não somos bons gravando com o Paramore também (risos). Essa é nossa primeira experiência como três membros indo ao estúdio e escrevendo músicas juntos. Taylor afastou todos. Ele gravou uma demo de todas as canções – eu estava lá para os vocais e o Jeremy para o baixo. Mas Taylor era tão bom com os sons e tem uma baita visão para cada canção e tornou tudo mais fácil para nosso produtor Justin. Havia um bom fundamento quando nós trouxemos Justin. Ouvindo a versatilidade nas músicas que nós escrevemos, Justin trouxe o nome do Ilan e explicou o seu nível de talento e que ele era jovem como nós. Então quando nós fizemos a pré produção como ele, ele rapidamente escolheu tudo. Ele fez um ótimo trabalho apenas deitando e sentindo a emoção. Eu acho que as canções soariam as mesmas se Ilan não as estivesse tocando. Nós tivemos todas as ferramentas nocessárias no nosso time: Carlos e Justin eram ótimos com tudo que eu, Jeremy e Taylor não podíamos fazer. Eles estavam lá e tinham tanta experiência e conhecimento para nos passar. Nós aprendemos muito todos os dias.
MC: Você tem algum conselho para as bandas que talvez possam passar pelo que vocês passaram com a polêmica dos irmãos Farro?
Williams: As vezes você realmente precisa passar por coisas que você não quer. Eu nunca, em um milhão de anos, eu nunca diria que queria estar em uma banda só com Jeremy e Taylor. Eu disse em entrevistas antes, “O único baterista que eu vou querer tocar junto é Zac Farro.” É louco quando eu acordo e vejo só três de nós. Mas eu tenho que dizer, que depois de dois anos e meio desse jeito, não tem outro jeito que deveria ou poderia ser. É exatamente o jeito que isso deveria ser. Você tem que deixar a vida acontecer. Você está em uma banda e você quer se um artista que expressa pensamentos e sentimentos, mas você não vai ter nada para expressar se você não passar por essas lutas e pela vida normal.
Perder dois membros da banda não é uma coisa anormal; é o mesmo que perder dois amigos quando eles vão para a faculdade ou vão para o mundo real… é só a vida. Nós temos que deixar acontecer. Se não, Taylor não teria intensificado seu papel como compositor. Ele me disse antes que ele tinha medo da morte. Mas era um empurrão que ele precisava, e agora ele é um artista que ninguém poderia imaginar que ele seria. Você tem que aceitar isso. Isso definitivamente machuca, mas faz uma ótima arte.
MC: Falando sobre novas composições, “Ain’t It Fun” está no próximo disco e tem um tipo de coral, diferente do estilo cântico pop-punk que nós ouvimos nos discos anteriores do Paramore.
Williams: Aquela música veio junto em um jeito muito legal. Taylor fez as duas primeiras linhas de guitarra e teclados. Eu fui até o quarto do hotel e o seu computador estava com os auto-falantes ligados e eu ouvi e disse, “O que é isso? É tão legal!”  Ele estava tentando alguns sons sozinho e eu disse, “Não, isso é uma música do Paramore. Nós temos que escrever isso!”  Estando abertos e deixando a música nos levar onde quisesse,  e no final da noite, eu estava gravando alguns vocais no quarto do Taylor e disse, “Você canta comigo. Vamos fingir que somos um coral,” como se por alguma chance a gente fosse ter um coral no disco… Nós realmente não pensamos que isso fosse acontecer, e então, seis meses depois, nós estávamos no Sunset Sound Studios com um legítimo coral gospel de Los Angeles. Eu me senti como se eu estivesse em algum tipo de música de natal da Mariah Carey. Eu cresci nisso. Foi meu dia favorito no estúdio. Eu estou muito ansiosa para as pessoas ouvirem essa música.
MC: Eles vão ouvir isso em breve, e They will hear it soon enough, e provavelmente no Rdio ou no Spotify. Como você se sente sobre a indústria de serviços de Streaming de música?
Williams: Eu sou uma daquelas pessoas da idade da pedra. Eu gosto de comprar música. Eu nem penso duas vezes. Taylor e Jeremy adoram o Spotify. Isso é apenas uma coisa que eu não tenho compromisso ainda.  Eu brinquei e fiz algumas playlists no Rdio já, mas não é minha vibe ainda. Mas eu não acho que streaming de música é matar a indústria — a indústria é que ataca desde que eu tinha 12 anos de idade e estava fazendo download do Kazaa no meu computador. Eu sinto que fãs de músicas vão ouvir música não interessa como, e enquanto as pessoas forem aos nossos shows eu realmente não me importo se eles estão fazendo download de graça ou por um centavo, e realmente não me importo. Eu apenas quero que as pessoas venham para os nossos shows e saibam as palavras e cantem junto!
MC: Bom, vocês fizeram o Singles Club. É a batalha do Paramore conta o iTunes?
Williams: Nós nunca fomos aqueles artistas que não colocam seu álbum no iTunes por 10 anos e então você quer fazer isso e explode… Eu já vi artistas fazerem isso e eu me questionei, isso é genial? Isso é estúpido? Eu não sei! Com o Singles Club nós queríamos fazer algo que fosse direto para nossos fãs. Nós não queríamos toda aquela campanha publicitária. Nós não queríamos toda a pressão sobre isso. Nós só queríamos fazer algo que dissesse, “Isso é onde nós estamos agora, This is where we are right now, a vida é estressante alguns momentos e é daí que as músicas vem.”
MC: Parece como uma perfeita saída para vocês.
Williams: Nós precisávamos do Singles Club. Isso tipo que alimentou nosso fogo. Nós estávamos sentindo muitas coisas diferentes depois da partida do Josh e do Zac e nós precisávamos provar para nós mesmos que nós poderíamos permanecer no Paramore. E eu gostaria de fazer mais do que isso, honestamente. Taylor é um super artista então nós vamos usar toda essas coisas e experimentar muito e aproveitar nosso tempo livre apenas fazendo música. Eu quero ir a um lugar onde nós não escrevemos mais entre os discos. Eu quero continuar produzindo novas músicas para nossos fas e uma parte disso estará no iTunes e outro parte não.
MC: Você já fez várias participações com bandas como mewithoutYOU, Set Your Goals e New Found Glory. Nós sabemos que você também fez parceiria com B.o.B alguns anos atrás na sua música “Airplanes”, a qual vendeu mais de 138 mil cópias na sua primeira semana. Alguns anos atrás, Lupe Fiasco falou com a Music Connection e deixou escapar algo como sobre as participações hip-hop são hoje em dia. Como o seu sucesso aconteceu?
Williams: Nós estávamos tocando em um show no Hammerstein Ballroom emNew York e Jeremy da Atlantic Records, quem recém começou a trabalhar com B.o.B, veio até mim e disse, “Você seria tão perfeita nessa música. Nós realmente precisamos de alguém pra fazer isso.” Eu falei isso para os rapazes da banda e eles disseram,  “Você tem que fazer isso! Essa é uma música tão legal!”.E sim, eu fiz os refrões sem conhecer ele. Eu e o B.oB não nos conhecemos até o dia do VMA depois da música que nós cantamos. Isso foi louco, mas eu sou tão agradecida por isso por que eu não sou uma daquelas artistas que se sentem confortáveis indo para um quarto com pessoas que nunca viram antes e apenas compõem juntas. Eu sei sobre o que Lupe está falando, eu conheço a vibe e o quão desconectado pode ser, mas nesse caso eu, na verdade, uni o Paramore e o B.o.B. Nós acabamos fazendo uma tour com ele depois.  Ele é um dos nossos maiores amigos. Ele vai e vista o Jeremy e fica na casa dele com a esposa dele. É legal. Aquela música uniu dois artistas que nunca se conhecieriam — e provavelmente nunca se cruzariam — e isso foi incrível. Eu espero fazer mais coisas assim. Eu escrevo músicas para o Paramore. Eu não escrevo para outroas pessoas, pelo menos ainda não. Então seria legal conhecer outros artistas e fazer o que fiz com o B.o.B.
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